A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, apresentou nesta semana à Polícia Federal uma nova linha de delação premiada que reestrutura a que foi rejeitada anteriormente e que deve avançar no esquema de fraude financeira e corrupção de agentes políticos e públicos.
Segundo fontes a par da investigação, a equipe do advogado Sérgio Leonardo – que passou a encabeçar a defesa do banqueiro em meados de maio – apresentou documentos e ideias que sinalizam um novo sentido da delação. A proposta definitiva deve ser fechada na próxima semana.
A Polícia Federal, na proposta anterior, questionou a falta de informações mais aprofundadas principalmente em relação à participação de políticos no esquema, como os casos envolvendo os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para a autoridade, Vorcaro omitiu as informações referentes a eles e que a investigação descobriu antes.
À Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro afirmou que não se pronunciará sobre a nova negociação.
No caso de Ciro Nogueira, a Polícia Federal descobriu o suposto pagamento de uma mesada de R$ 500 mil para que apresentasse propostas no Senado de interesse de Vorcaro, como a elevação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A alteração, que não passou no Legislativo, poderia disparar a captação e lucros do Banco Master.
Também nesta semana, uma nova apuração revelou que Vorcaro bancou as férias de Ciro Nogueira e sua companheira nos Alpes Franceses no ano passado, com hospedagem em hotel de luxo e restaurantes alto padrão.
Já no caso de Flávio Bolsonaro, a desconfiança recai sobre o financiamento de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em que mensagens vazadas à imprensa revelaram uma cobrança do senador a Vorcaro. O parlamentar posteriormente admitiu a existência de um contrato no valor de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
Além da falta de informações mais aprofundadas sobre as autoridades envolvidas, a Polícia Federal questionou o montante oferecido de devolução, de R$ 40 bilhões. Segundo investigadores, Vorcaro já sinalizou a intenção de aumentar esse valor para R$ 60 bilhões.
Além da Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também negocia a proposta de delação com a defesa de Vorcaro.
Investigadores afirmam que os milhares de documentos apreendidos até o momento e os cerca de 100 aparelhos eletrônicos, entre celulares e outros equipamentos, já dariam consistência para ampliar a investigação por meses e deflagrar inúmeras fases da operação ou desdobramentos.










