A partir de 11 de junho, 1.248 jogadores disputarão a Copa do Mundo de 2026, com partidas nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A lista oficial foi divulgada pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) na terça-feira (3).
O amor dos atletas pela camisa que vestem vai além do local de nascimento. Segundo dados da Opta, empresa de estatísticas esportivas, coletados às 12h desta terça, 289 foram convocados por seleções que não são aquelas de seus países de origem. O grupo representa 23% dos chamados, quase um quarto.
A equipe de Curaçao é a que mais tem jogadores não nascidos no país. Dos 26 convocados, 25 nasceram na Holanda –que colonizou o território de 1634 até 1954. A ilha integrava as Antilhas Holandesas até 2010, quando tornou-se um país autônomo dentro do Reino dos Países Baixos.
Na República Democrática do Congo, 20 dos 26 não nasceram no país: são da França, da Bélgica, da Inglaterra e da Suíça.
A França é o país com mais atletas em diferentes seleções. Dos 97 jogadores, 22 defendem a camisa francesa, e outros 75 estão distribuídos em 12 equipes, sendo 13 na Argélia, 11 no Congo, 11 no Haiti e 10 em Senegal.
Apenas 8 das 48 seleções da Copa terão um time em que todos os jogadores nasceram no próprio território do país. É o caso do Brasil, com 26 convocados locais. O mesmo ocorre com Áustria, África do Sul, Colômbia, Suécia, República Tcheca, Arábia Saudita e Panamá.
A dupla nacionalidade é uma realidade para 549 atletas, 43,9% do total.
A Copa de 2026 conta com 416 competidores a mais do que a edição anterior. Isso porque o número de times cresceu de 32 para 28. E a Fifa manteve a quantidade de 26 nomes convocados por seleção —regra alterada na última Copa devido ao calor no Qatar e à pandemia de Covid-19; até 2018, eram 23.
Dentro dos 26 nomes de cada seleção, a distribuição dos atletas por posição é uma escolha estratégica. A Áustria, por exemplo, levará três pessoas para o ataque e 11 opções para o meio de campo. Gana, por sua vez, terá dez atacantes e quatro meias –há, claro, atletas versáteis, que conseguem jogar em mais de uma posição.
O Egito é o único país com quatro goleiros na disputa. As outras 47 seleções terão três nomes da posição.
IDADE
A média de idade dos convocados é de 27 anos. A seleção mais nova é a da Costa do Marfim, com uma média de 25 anos.
As mais velhas são Colômbia, Panamá e Irã, cada uma com uma média de 30 anos. A análise considerou a idade em que os atletas terão no primeiro dia de Copa, 11 de junho.
O jogador mais novo é o meia Gilberto Mora. Convocado pelo México, chegará à disputa com 17 anos. Há 11 nomes com 18 anos. Dentre eles estão o atacante Lamine Yamal, da Espanha, e o meia Ayyoub Bouaddi, de Marrocos.
O mais velho é o goleiro Craig Gordon, de 43 anos. Um dos atletas com mais jogos pela seleção da Escócia, ele atuou na campanha de qualificação que encerrou a espera de 28 anos do país para voltar a uma Copa. O time está no mesmo grupo do Brasil, com o confronto marcado para o dia 24 de junho.
Também na casa dos 40 está o craque português Cristiano Ronaldo, segundo mais velho. Aos 41, ele disputará a sexta Copa do Mundo. Há outros cinco nomes nessa faixa, entre eles o goleiro Manuel Neuer, 40, que largou a aposentadoria para jogar o torneio pela Alemanha.
Até o início da competição, a lista de convocados pode ser alterada. O regulameno da Fifa diz que jogadores podem ser substituídos em caso de lesão grave ou de doença até 24 horas antes da estreia de cada seleção.
ALTURA
O atleta mais alto desta Copa é o goleiro da Áustria, Florian Wiegele, com 2,05 m. Seguido do goleiro Alvaro Montero, da Colômbia, e do defensor Stjepan Radeljic, da Bôsnia, ambos com 2,01 m.
O mais baixo é César Yanis, do Panamá, que mede 1,60 m.
SELEÇÕES MAIS ‘CASEIRAS’
As seleções com mais jogadores do futebol local são as do Qatar e da Arábia Saudita. Em cada um dos times, 25 dos 26 convocados atuaem em clubes do próprio país, todos na primeira divisão.
Os três países-sede da Copa apresentam perfis distintos quanto à composição de seus convocados. No México, 46% dos jogadores disputam o campeonato nacional. Nos Estados Unidos, 31% atuam em ligas norte-americanas. Já no Canadá, nenhum dos jogadores compete em ligas do próprio país.
A realidade canadense é a mesma de outros 13 países em que todos os convocados jogam em times internacionais: Costa do Marfim, Curaçao, Bósnia e Herzegovina, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Nova Zelândia, Japão, Jordânia, Iraque, Haiti, Gana, Senegal e Uruguai.
LIGAS EUROPEIAS DOMINAM
Análise da Folha com os dados da Opta mostra que a Premier League, primeira divisão do Campeonato Inglês, reconhecida como a grande liga nacional do futebol mundial, lidera entre os atletas convocados para a Copa, com 162 nomes na disputa.
Já a Bundesliga, o Campeonato Alemão, tem 99 representantes na Copa, e LaLiga, o Campeonato Espanhol, 80.
A maior parte dos convocados joga na primeira divisão das ligas, mas há 80 nomes que hoje disputam a segunda divisão de times de Espanha, Inglaterra, Itália, França, Arábia Saudita, Portugal, entre outros. Um exemplo é Josimar Dias, goleiro de Cabo Verde. Conhecido como Vozinha, o futebolista joga no Chaves, da segunda divisão portuguesa.
Atuantes no Campeonato Brasileiro —além dos convocados por Carlo Anchelotti— também disputam a Copa por outras seis seleções. O Paraguai e o Uruguai levarão sete atletas do futebol brasileiro, entre eles Gustavo Goméz (Palmeiras), Sosa (Palmeiras), Arrascaeta (Flamengo) e Canobbio (Fluminense).
O clube brasileiro que mais cedeu jogadores para a Copa (incluindo para a seleção brasileira) foi o Flamengo, com nove convocados, seguido do Palmeiras, com sete. O Atlético-MG enviou quatro atletas, enquanto Internacional e Grêmio, dois cada um. Santos, Botafogo, Athletico-PR, Vasco e Corinthians terão um representante cada um.
MAIORES FORNECEDORES
O inglês Manchester City é o time que mais vai ceder jogadores às seleções da Copa, com 19 atletas espalhados em 12 times, incluída a seleção inglesa.
A lista segue com dois gigantes da Europa: Bayern de Munique, 18, e Arsenal, 16, que foi campeão da liga inglesa após 22 anos de jejum. Serão 15 os jogadores PSG na Copa. O Barcelona aparece na sequência, com 14.
TÉCNICOS ARGENTINOS
Esta será a primeira Copa do Mundo sem um técnico brasileiro. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apostou no italiano Carlo Ancelotti, vencedor de cinco edições da Champions League.
A disputa deste ano contará com seis técnicos argentinos. Além de Lionel Scaloni, atual treinador de futebol responsável pela própria Argentina, estarão no Mundial Néstor Lorenzo (Colômbia), Sebastián Beccacece (Equador), Gustavo Alfaro (Paraguai), Mauricio Pochettino (Estados Unidos) e Marcelo Bielsa (Uruguai).
O Mundial contará com cinco treinadores franceses: Didier Deschamps (França), Sébastien Desabre (Congo), Rudi Garcia (Bélgica), Sabri Lamouchi (Tunísia) e Sébastien Migné (Haiti).
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