Toyota fecha fábrica em Indaiatuba em junho de 2026 – 01/06/2026 – Economia

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A Toyota vai encerrar no dia 30 de junho de 2026 as atividades de sua fábrica em Indaiatuba (SP), unidade que operava desde 1998 e produziu mais de 1 milhão de veículos. O fechamento marca a etapa final da reorganização industrial da montadora no Brasil, com a transferência da produção do Corolla Sedan para Sorocaba (SP).

O processo de migração do modelo foi anunciado e iniciado em 2024. Com a sua conclusão, o complexo industrial de Sorocaba passará a concentrar as principais operações industriais da Toyota no país. Segundo a empresa, a centralização da produção permitirá maior sinergia entre as linhas de montagem e alinhamento às metas globais de sustentabilidade.

A Toyota também prevê inaugurar em novembro de 2026 sua segunda fábrica em Sorocaba. A nova unidade faz parte do plano de investimentos de R$ 11 bilhões anunciado pela montadora para o Brasil até 2030. De acordo com a Toyota, a estrutura deve preparar a empresa para a produção de novos modelos e tecnologias, incluindo veículos híbridos.

De acordo com a Toyota, a expansão do complexo industrial de Sorocaba resultou na criação de cerca de 2.000 empregos na região. A empresa afirma que a transição foi conduzida em diálogo com funcionários, com alternativas como transferência para outras unidades e adesão voluntária a programas de desligamento, sem demissões unilaterais.

Na época do anúncio da mudança, o presidente da Toyota no Brasil, Evandro Maggio, afirmou em entrevista à Folha que a estratégia da empresa era priorizar a transferência dos funcionários para Sorocaba. Segundo ele, o novo complexo havia capacidade para absorver todos os trabalhadores da unidade de Indaiatuba.

Em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região afirmou ver de forma positiva a ampliação das operações da Toyota na cidade, com potencial de geração de empregos e fortalecimento da cadeia automotiva regional.

Segundo o presidente da entidade, Leandro Soares, a expansão é resultado de um processo de diálogo construído ao longo dos últimos anos. Além dos cerca de 2.000 empregos diretos anunciados pela empresa, a expectativa do sindicato é de que o investimento gere aproximadamente 8.000 postos de trabalho indiretos na cadeia de fornecedores e sistemistas.

A entidade também diz que acompanha a transferência de trabalhadores da fábrica de Indaiatuba para Sorocaba, que vem ocorrendo de forma gradual, e que o sindicato monitora o processo para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pela Toyota.

GREVE E NEGOCIAÇÃO

O anúncio do fechamento da fábrica de Indaiatuba em 2024 levou os trabalhadores a realizarem uma greve e abriu um processo de negociação entre a Toyota e o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.

Jair dos Santos, presidente da entidade, afirmou que a Toyota vem cumprindo os termos negociados quando foi anunciado o fechamento da fábrica. Pelo acordo firmado à época, os trabalhadores que optassem pelo desligamento teriam direito ao pagamento de 45 salários, além de dois salários adicionais por ano trabalhado na empresa. O pacote também garantiu estabilidade no emprego até julho de 2026, além da manutenção do convênio médico e do cartão cesta por 36 meses após a demissão.

Para os trabalhadores transferidos para Sorocaba, o acordo previu estabilidade até julho de 2029. Além de incluir que quem optasse por trabalhar em Sorocaba sem mudar de residência receberia o equivalente a dois salários, além de R$ 15 mil. Já os funcionários que decidissem se mudar para a cidade teriam direito a mais 2,4 salários.

O acordo também estabeleceu que os trabalhadores transferidos para Sorocaba poderiam solicitar o desligamento da empresa em até sete meses após a mudança, mantendo o direito ao pacote de benefícios negociado, com desconto dos valores recebidos durante o processo de transferência.

VENDAVAL EM PORTO FELIZ (SP)

Em setembro de 2025, um vendaval danificou a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), interrompendo a produção e afetando as operações da montadora no país. O episódio levou ao adiamento do lançamento do Yaris Cross, à concessão de férias coletivas e lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) para parte dos trabalhadores e à paralisação temporária das fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, que retomaram as atividades em novembro com motores importados da Ásia, principalmente do Japão.

FECHAMENTO DE FÁBRICA NO ABC

A unidade de Indaiatuba não é a primeira fábrica da Toyota a encerrar atividades no Brasil. Em 2022, a montadora anunciou o fechamento de sua operação de produção de peças em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, processo que foi concluído até o fim de 2023.

Na ocasião, a empresa informou que as atividades da unidade seriam transferidas para as fábricas de Sorocaba, Porto Feliz e Indaiatuba. A fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo foi inaugurada em 1962 e foi primeira unidade da montadora fora do Japão.

A linha de autopeças substituiu, em 2001, a produção do utilitário Bandeirante, jipe que acabou convertido em objeto de desejo e que parou de ser fabricado porque seu motor ultrapassava os limites da lei para emissão de poluentes em vigor a partir de 2002.



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