Sem preço consistente, arroz preocupa produtor mundial – 27/05/2026 – Vaivém

Sem preço consistente, arroz preocupa produtor mundial - 27/05/2026 - Vaivém

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Os produtores brasileiros estão descontentes com os preços internos do arroz. Essa situação, no entanto, não é exclusiva do Brasil, uma vez que produtores dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia sentem o mesmo. O mundo vem tendo crescimento de safra há uma década, e a reação do consumo é pequena. A China, maior consumidora mundial, perdeu o ritmo de crescimento populacional, embora parte dessa perda esteja sendo compensada pelo crescimento da população da Índia, a segunda maior consumidora do cereal no mundo.

A safra 2026/27, no entanto, será de 548 milhões de toneladas, 5 milhões a menos do que a anterior. Segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), essa será a primeira queda desde 2015/16. Índia, Mianmar e Estados Unidos serão responsáveis por boa parte dessa redução. O consumo mundial cai 4 milhões de toneladas, para 541 milhões, e os estoques recuam para 193 milhões.

A China, com 145 milhões de toneladas, consumirá menos, mas a Índia, com 128 milhões, atingirá um patamar recorde na demanda. Além de grandes consumidores, os indianos são os principais exportadores mundiais. Na safra 2026/27, deverão colocar 25 milhões de toneladas no mercado externo.

Os produtores dos principais países que atuam nessa cultura reclamam dos baixos preços do cereal e dos altos custos de produção, principalmente com a elevação do diesel e dos fertilizantes. As estimativas são de que, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, o cereal volte a perder espaço para a soja. Os produtores gaúchos, os líderes no Brasil, deverão plantar próximo de 50 mil hectares a menos na próxima safra, segundo estimativas de Vlamir Brandalizze, analista do setor.

No Rio Grande do Sul, a saca está entre R$ 57 e R$ 60 no campo, dependendo da região e do tipo de arroz. Nos supermercados, alguns preços promocionais são de apenas R$ 12 por pacote de cinco quilos. Os produtores, com vencimento de dívidas, são obrigados a colocar produto no mercado, mas as indústrias, devido às taxas de juros de 22%, não conseguem formar estoques, diz Brandalizze.

Brasileiros e americanos têm dificuldades em exportar devido à competitividade externa. No Brasil, a taxa de câmbio não facilita as vendas. Além disso, uruguaios e argentinos já preencheram toda a cota com taxa zero do volume que o Mercosul tem na União Europeia, com base no acordo firmado entre os dois blocos. Nos Estados Unidos, o alto valor do cereal, devido a custos de produção, coloca o produto americano em desvantagem ante o dos demais países exportadores. As perspectivas de margem para os produtores americanos são baixas, o que faz Arkansas, estado líder na produção no país, semear a menor área em quatro décadas.

A Índia, com colheita recorde, perdeu parte de seus principais compradores, que estão no Oriente Médio, devido à guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Isso traz pressão nos preços internos do país asiático. O produto exportado acaba ficando mais caro, devido à alta de frete e de seguro provocado pelo conflito. Os iranianos são os maiores importadores dos indianos.

Saída Os fundos de investimentos começam a realizar lucros no mercado agrícola com a possível retração nos preços das commodities. Embora ainda em ritmo lento, as instituições se desfazem de algumas posições no mercado.

Saída 2 Os fundos de investimentos tinham uma posição comprada de 30 milhões de toneladas de soja no início do conflito do Oriente Médio. Atualmente estão com 28 milhões.

Saída 3 A saída no milho foi maior. Há três semanas, eles detinham 44 milhões de toneladas do cereal comprados em suas carteiras, volume que recuou para 37 milhões. Os fundos estão comprados também em algodão, o que não ocorre, no entanto, com o trigo.

Recicláveis O inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), entidade gestora do Sistema Campo Limpo e que representa a indústria fabricante de defensivos agrícolas na coordenação da logística reversa no setor, aumentou em 11% o volume de coleta no ano passado, para 76 mil toneladas.

Recicláveis 2 O sistema teve um aumento de 10% no custo total da operação, mas reduziu em 5% o custo por quilo. Pelo menos 70% da operação já é coberta por receitas próprias, segundo informações da entidade.


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