O preço do petróleo subiu nesta quinta-feira (28) com o mercado reagindo à troca de ataques entre EUA e Irã, que deixou mais distante o acordo de paz entre os dois países.
O barril Brent, referência mundial, chegou a saltar 4,03%, a US$ 95,97, por volta da 1h15 (horário de Brasília) após iniciar a sessão na casa de US$ 93. Depois disso, o preço chegou a cair para US$ 94, voltou à casa dos US$ 95 e era negociado a US$ 94,78, alta de 2,74%, por volta das 9h.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também está em alta de 3,03%, sendo vendido a US$ 91,33.
A alta do petróleo foi consequência da retomada dos ataques entre os dois países nesta quinta-feira. Os norte-americanos fizeram ataques ao Irã, tendo como alvo um local militar que, segundo autoridades, representava uma ameaça às forças americanas e ao tráfego marítimo comercial no estreito de Hormuz, disse uma autoridade americana à agência Reuters.
O funcionário, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os militares americanos também interceptaram e abateram múltiplos drones iranianos que representavam ameaça semelhante.
Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA, que teria sido de onde partiu a ofensiva contra seu território. O Kuwait afirmou durante a madrugada ter respondido a ataques com mísseis e drones e posteriormente condenou as ações iranianas, classificando-as de uma “perigosa escalada”.
A agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, relatou ataque próximo à cidade de Bandar Abbas.e disse que ele ocorreu após a Guarda tentar parar um “navio-tanque americano tentando transitar pelo estreito de Hormuz”.
Ao mesmo tempo, houve relatos de novos ataques do Israel a Líbano em um agravamento das tensões no Oriente Médio. Uma das condições exigidas pelo Irã para o fim do confronto é o término dos bombardeios ao território libanês, aliado do país.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse em comunicado que EUA e Israel tentam desestabilizar o país persa. “O plano cego do inimigo, após a guerra imposta, a pressão econômica e o cerco político e propagandístico, é criar divisões e desintegração para compensar as derrotas militares e colocar a nação de joelhos”, disse ele.
O presidente dos EUA, Donald Trump, negou a informação de um suposto memorando divulgado por uma emissora iraniana de televisão com o acordo de paz, no qual os norte-americanos aceitariam que o Irã tivesse o controle do estreito de Hormuz por um mês. O republicano também negou que teria sido aceito uma proposta de Irã e Omã administrarem de forma conjunta a via marítima.
“Até agora, eles não chegaram a um acordo, não estamos satisfeitos com isso, mas ficaremos”, disse Trump. “Eles estão negociando com base em argumentos fracos, mas veremos o que acontece. Talvez tenhamos que voltar atrás e finalizar o acordo, talvez não”, completou.
As negociações entre os dois países seguem estagnadas com a discussão sobre o controle do estreito de Hormuz, por onde passava antes da guerra 20% da produção mundial de petróleo e gás, e o programa nuclear iraniano.
Com informações da Reuters









