Cardápio Mounjaro: Natural One tem suco de baixa caloria – 05/06/2026 – Economia

Cardápio Mounjaro: Natural One tem suco de baixa caloria - 05/06/2026 - Economia

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Em tempos de refeições mais frugais, a fabricante de sucos Natural One lança uma linha voltada a consumidores que buscam produtos com menor índice calórico, uma demanda que acompanha a adoção das chamadas canetinhas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic.

Com seis sabores, a linha Fresh tem 35% de suco natural e mais água na mistura. O presidente da Natural One, Rafael Ivanisk, disse à Folha que o objetivo é que a nova composição não perca qualidade em relação aos sucos 100% naturais, que entraram na malha fina de nutricionistas pela alta densidade calórica.

Ele projeta que essa linha atinja uma participação de 30% a 40% do negócio em breve. A companhia faturou R$ 1 bilhão em 2025 e projeta crescer 30% este ano.

“A gente nunca vai colocar nada no mercado que não seja 100% natural. O natural é no sentido de não ter conservantes nem químicos na formulação. O percentual de suco vai mostrar a leveza do suco, se ele é mais ou menos consistente. O nosso movimento estratégico é transformar a Natural One de uma empresa de sucos naturais para uma empresa de bebidas naturais”, afirma Ivanisk.

Cada porção de 200 ml (mililitros) de sucos da linha Fresh detém, em média, 26 kcal (quilocaloria) – valor que pode ser maior ou menor, dependendo do sabor. Para chegar na mistura ideal, a companhia usa folhas da planta estévia como um adoçante substituto do açúcar.

“A gente queria lançar uma linha de produtos que atendesse essa parcela da população que está preocupada em consumir produtos com menos calorias”, diz Ivanisk. “O que há no mercado hoje de produtos com baixa caloria são os néctares, que têm sucralose, que é químico, não é um produto 100% natural.”

A tendência, segundo Ivanisk, é que a empresa explore outros nichos de bebidas com itens de baixa caloria, como chás.

A aposta em nichos além dos sucos não é uma novidade. Em 2023, a empresa entrou no mercado de bebidas vegetais, com opções de leite de aveia saborizados. A linha, no entanto, foi descontinuada.

“O negócio de leite vegetal é muito pequeno e muito caro. O leite vegetal chega ao mercado a R$ 18, R$ 19, enquanto o leite normal está na casa de R$ 6”, afirma Ivanisk.

A empresa também aproveitou o momento para redesenhar sua marca. Agora, os rótulos dos itens da companhia trazem o nome The Natural One. A adição do artigo em inglês “The” visa atender o público no exterior. Além do Brasil, a marca está presente em 11 países. Canadá, Chile, China e México são os principais destinos.

“A exportação hoje na companhia ainda é pequena, representa 10% do nosso faturamento, mas a gente tem a ambição de que esse negócio represente 50% nos próximos cinco anos”, diz o CEO.

A empresa ainda não tem presença na Europa, mas isso pode mudar diante do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Para 2026, a Natural One projeta um investimento de R$ 40 milhões. O aporte será voltado a plantação de novos pomares e ampliação da distribuição no Brasil. Hoje, a companhia tem apenas um centro de distribuição, em Jarinu, interior de São Paulo, onde também é o complexo fabril.

FAZENDAS PRÓPRIAS

Para se proteger da escalada no preço da laranja, seu principal insumo, que disparou para níveis históricos na safra 2024-25, a companhia firmou um acordo com o empresário Edson Luiz Ignacio para adquirir as fazendas da Vêneto Agrícola. Parte da operação foi paga por meio de troca de ações, tornando Ignacio sócio dos atuais controladores da fabricante de suco: o empresário Ricardo Ermírio de Moraes e a gestora Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

Hoje, a companhia detém 18 fazendas: 16 no interior de São Paulo e duas em Minas Gerais. São 6 mil hectares de pomares.

“Agora, a gente é autossuficiente na produção de laranja. Com isso, eu me blindei, primeiro, da volatilidade de preço e, como a fazenda é minha, posso colher no momento certo. Hoje eu espremo na safra, estoco nos meus tanques assépticos e tenho um suco mais homogêneo ao longo do ano inteiro”, diz Ivanisk. O suco de laranja representa metade das vendas do negócio.

A caixa de 40,8 kg de laranja chegou a bater R$ 115 em outubro de 2024, atingindo o maior patamar em 30 anos, mas regrediu desde então. Segundo o indicador Cepea, a caixa da fruta é cotada hoje entre R$ 25 e R$ 40.

A unidade da garrafa de suco de laranja de 900 ml da marca custava cerca de R$ 9 há cinco anos e hoje varia entre R$ 12 e R$ 16.

Cristina Souza, cofundadora e CEO da consultoria Tanjerin, aponta que o repasse de preço pela companhia nos últimos anos acabou afastando o consumidor de classe média, que estava habituado aos produtos da marca em meados de 2020 e 2021.

“Especialmente a classe B, que é uma grande consumidora desse produto, está se sentindo muito pressionada em termos de renda”, diz ela. “O que a empresa fez [para mitigar o aumento dos preços] também foi ajustar o tamanho da garrafa. O que antes era uma garrafa de 1,5 litro, agora é cobrado por uma de 1,3 litro, por exemplo.”

Segundo a especialista, a aposta em uma linha de baixa caloria pode ser positiva, já que os sucos das marcas concorrentes nessa faixa de preço geralmente contêm sucralose, um adoçante artificial, na composição. Uma garrafa de 900 ml da linha Fresh custa, em média, R$ 9.

“Com esse produto, eles passam a competir com a Del Valle [marca da Coca-Cola], por exemplo, que é um néctar, um produto muito açucarado. Então, é um posicionado mais ligado à saudabilidade do que só a preço”, afirma a consultora.


RAIO-X | NATURAL ONE

  • Fundação: 2014
  • Funcionários: 350
  • Receita (2025): R$ 1 bilhão
  • Produção anual: 120 milhões de litros

Fonte

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