A gênese do novo tarifaço – 03/06/2026 – Adriana Fernandes

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O senador Flávio Bolsonaro tenta se dissociar da proposta de um novo tarifaço dos Estados Unidos, mas o movimento eleitoral do pré-candidato à Presidência carece de verdade histórica.

A gênese do ataque dos Estados Unidos à economia brasileira está bem descrita na carta que Donald Trump enviou ao presidente Lula em julho do ano passado, para anunciar uma sobretaxa de 50%.

Dizia o texto, logo no 1º parágrafo: “Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitava muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma desgraça internacional. Este julgamento [no STF] não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!”

A determinação para que o USTR abrisse uma investigação contra o Brasil está naquela mesma carta, que continha argumentos políticos e econômicos para justificar o tarifaço.

Disse Trump: “Devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, bem como a outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação nos termos da Seção 301“.

Um ano depois, o resultado foi um relatório do USTR propondo uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Talvez mais danoso para as ambições políticas de Flávio, as conclusões das investigações estão recheadas de acusações contra o Pix, uma espécie de unanimidade nacional.

Flávio pode até dizer agora que pediu expressamente a Trump e a Marco Rubio para não sobretaxar empresas brasileiras, mas vai ser difícil esconder que a apuração da Seção 301 foi desencadeada na esteira da campanha de bolsonaristas contra o governo Lula e o Judiciário para suspender a ação judicial que corria contra Jair Bolsonaro.

A carta de Trump dissolveu as fronteiras entre política e economia na relação dos EUA com o Brasil. Não será Flávio que conseguirá redesenhá-las.


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