Lula cobra ministros a defenderem o Brasil de novas sanções dos EUA

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou seus ministros, nesta quarta-feira (3), a defenderem o Brasil em relação às possíveis novas taxações impostas pelo governo dos Estados Unidos por supostas práticas comerciais prejudiciais às empresas norte-americanas, e que podem chegar a 37,5% no acumulado dos anúncios desta semana.

A cobrança, junto de um puxão de orelha, foi dada durante a última reunião ministerial deste semestre com a nova configuração da Esplanada após a saída de ministros que irão disputar as eleições de outubro. Lula afirmou que o Brasil vive um “momento decisivo” e que não pode aceitar o tratamento do governo de Donald Trump.

“Que o país não seja tratado como uma republiqueta insignificante, não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao brasil nesta semana, não é possível. Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”, afirmou Lula no discurso de abertura da reunião.

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Em outro momento com forte tom de cobrança, Lula afirmou aos seus ministros que dizer “em alto e bom som [que] estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos e rasteiros de uma disputa” e que “não pode dar valor a alguém que trai a Pátria”.

Lula aproveitou o discurso para atacar Trump pela forma como anunciou o primeiro tarifaço do ano passado, através das redes sociais em vez dos canais diplomáticos tradicionais, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que afirmou que “não gosta da América Latina, muito menos do Brasil” e que “é um latino-americano frustrado”.

O presidente ainda ressaltou que, desde a reunião privada que teve com Trump no mês passado, os ministérios e técnicos dos dois países vinham negociando as alegações dadas pelos Estados Unidos sobre as supostas práticas comerciais e sobre a vantagem que os americanos têm na balança comercial com o Brasil.

“Nós não fizemos bravata e nem discurso, construímos uma narrativa para tentar conversar com o povo americano mostrando a insensatez da punição ao Brasil. […] Não queremos guerra. Queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 200 anos e que queremos fortalecer com os Estados Unidos.”, completou o presidente.

Sem citar nomes, Lula disse que “tem brasileiros fomentando essa briga” na perspectiva de supostamente prejudicar a sua tentativa à reeleição em outubro.

“Um imbecil desse não percebe que o prejudicado é o povo, não é o Lula. […] É de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer que em qualquer outro momento histórico seria traição à Pátria”, disparou Lula. Na véspera, ele acusou os “filhos do Bolsonaro” pela articulação das novas taxações com o governo dos Estados Unidos.

O presidente afirmou que entrará em contato com Trump novamente e que escreverá mais artigos em jornais estrangeiros para mostrar que “eles estão errados, equivocados e induzindo o mundo a uma violência desnecessária”.

“Isso aqui é um país democrático e soberano, não cederemos. Quem quiser explorar as terras raras e minerais críticos, vai ter que falar com o governo brasileiro. Acabou, acabou aquela história de levar todo o nosso ouro pra fora. Esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências”, disparou.

O governo dos Estados Unidos anunciou a taxação de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para lá como punição à conclusão de parte da investigação da chamada “Seção 301” de práticas comerciais prejudiciais às empresas do país norte-americano, incluindo críticas ao PIX. E, na última noite, uma tarifa extra de 10,5% por suposta falha no combate ao trabalho forçado na produção de bens.

Mais informações em instantes.



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