Pobre ou rico? Calculadora mostra sua posição na renda – 03/06/2026 – Economia

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Você se considera pobre, rico ou parte da classe média? Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relativos a 2025 ajudam a responder a essa pergunta.

As estatísticas oficiais foram reunidas pela Folha em uma calculadora que permite ao interessado consultar sua posição na distribuição de renda no Brasil. A ferramenta está disponível abaixo.

Para saber em qual faixa você está, é necessário colocar duas informações na calculadora: a renda total do seu domicílio em valores médios de 2025 e quantas pessoas viviam desse rendimento por mês.

Podem entrar na conta recursos obtidos com o trabalho e outras fontes. As outras fontes investigadas pelo IBGE são as seguintes:

  • aposentadoria e pensão;
  • aluguel e arrendamento;
  • pensão alimentícia, doação e mesada de não morador;
  • programas sociais de transferência de renda do governo federal (como Bolsa Família e BPC), dos estados ou dos municípios;
  • outros rendimentos, como rentabilidade de aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais, exploração de patentes etc.

Com as informações preenchidas, a calculadora aponta qual é sua renda domiciliar per capita e em qual grupo da população você está.

A renda domiciliar per capita soma os recursos obtidos pelos moradores de um lar e divide o dinheiro pelo número de pessoas, incluindo aquelas que não trabalham, como crianças.

Por exemplo: se uma mulher ganha R$ 5.000 por mês e vive com um filho (mãe solo), o rendimento domiciliar por pessoa é de R$ 2.500.

André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social, afirma que a renda per capita é importante para analisar o bem-estar das pessoas.

“O bem-estar depende muito do rendimento do grupo familiar, porque os recursos são divididos na família.”

COMO É A DISTRIBUIÇÃO

Entre os 5% mais pobres da população brasileira, a renda por pessoa foi de até R$ 299 por mês em 2025, conforme os dados do IBGE.

Se a análise considerar uma base mais ampla, dos 30% mais pobres, o rendimento máximo ficou em R$ 906 por pessoa no ano passado.

Na fatia da população que ganhava acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos, ou seja, uma camada intermediária, a renda ia de mais de R$ 906 até R$ 2.958 por pessoa. É o caso hipotético da mãe com o filho citado neste texto (R$ 2.500 por pessoa).

Ainda segundo o IBGE, os 20% mais ricos ganhavam mais de R$ 2.958 por mês por pessoa no ano passado. Trata-se de um valor que pode soar estranho quando se fala em riqueza.

Isso se deve ao fato de o grupo com os maiores rendimentos ser bastante heterogêneo. Assim, especialistas recomendam um olhar mais detalhado para quem está no topo da distribuição.

Quando a análise considera um grupo mais restrito, dos 10% mais ricos, a renda domiciliar per capita sobe a mais de R$ 4.609. Entre os 5% mais ricos, o valor ficou acima de R$ 6.900 em 2025.

Por fim, o 1% mais rico tinha ganho per capita superior a R$ 15.214 por mês no ano passado, conforme o IBGE. É um valor bem distante dos demais grupos.

A análise considera o rendimento bruto. Segundo o instituto, ganhos esporádicos, como aqueles de loterias ou similares, não são captados.

A fonte das informações é um módulo anual da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE em 8 de maio. A pesquisa é amostral –construída a partir de entrevistas com uma parcela de informantes representativa da sociedade.

As características do levantamento permitem à Pnad captar bem as informações da renda de fontes como trabalho, aposentadorias e programas sociais, conforme o economista Marcelo Neri, diretor do centro de estudos FGV Social.

A pesquisa, contudo, pode enfrentar dificuldades para apurar ganhos variáveis de capital, como dividendos e aplicações financeiras, que impactam mais as camadas mais ricas, aponta Neri.

Por isso, estudiosos também costumam analisar as informações declaradas no Imposto de Renda na hora de investigar o topo da distribuição.

“Os mortais normais são bem captados pela Pnad. Já os faraós, não”, afirma Neri.

Na pesquisa do IBGE, a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini subiu no país em 2025, após atingir a mínima histórica em 2024.

Apesar da elevação, o patamar do ano passado foi o segundo menor já registrado na série histórica, iniciada em 2012.

Conforme o instituto, o rendimento domiciliar per capita cresceu para pobres e ricos em 2025, mas a alta foi mais intensa para quem ganha mais, o que explica a subida da disparidade.

“A desigualdade se mexe pouco no Brasil. Tem muita resistência, apesar dos esforços [para reduzi-la]. Mas a boa notícia é que a renda tem crescido para todos”, diz Neri.



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