Professores mexicanos derrubaram nesta terça-feira (2) estátuas de jogadores de futebol instaladas na Cidade do México como parte da preparação do ambiente para a Copa do Mundo deste ano, que terá 13 partidas no país. O ato ocorreu durante um protesto da Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação, entidade dissidente do principal sindicato de professores do país, em meio a cobranças por aumento salarial, mudanças nas regras de aposentadoria e uma reunião com a presidente Claudia Sheinbaum.
Segundo a agência EFE, as estruturas, além de derrubadas, também foram pichadas com mensagens como “Se não houver solução, a bola não vai rolar”, em referência à ameaça dos manifestantes de ampliar os protestos durante a Copa.

Durante os atos, os professores usaram cordas para puxar as estátuas, retiraram partes dos uniformes que foram colocados nas estruturas e chegaram a incendiar peças da decoração. As estátuas representavam jogadores de seleções que disputarão a Copa e estavam instaladas no Paseo de la Reforma, uma das principais avenidas da Cidade do México.
A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação é uma corrente sindical de professores com forte histórico de protestos, greves e bloqueios no México. O sindicato tem cerca de meio milhão de integrantes espalhados pelo país.
A entidade cobra nestes atos melhores salários e mudanças no sistema de aposentadoria. Os professores participantes afirmam que o governo havia prometido rever a reforma previdenciária que alterou as condições de aposentadoria dos docentes mexicanos. O grupo também critica reformas educacionais feitas anteriormente.
Durante os atos, os manifestantes também fecharam duas vias importantes da capital mexicana, causando congestionamentos em meio à preparação da cidade para receber jogos da Copa.
O governo Sheinbaum afirma que mantém conversas com os professores e está disposto a negociar. O secretário de Educação do México, Mario Delgado, disse nas redes sociais que o governo está disposto a buscar soluções para atender as “demandas legítimas” dos professores.
Claudia Sheinbaum criticou as cenas de violência e destruição registradas nos protestos, contudo, afirmou que houve “muita provocação” nos atos e disse não acreditar que os professores tenham sido responsáveis pelos incidentes mais graves.
A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação afirma que continuará pressionando o governo para atender suas demandas. Lideranças do movimento dizem que querem uma reunião direta com Sheinbaum para negociar, e não apenas com ministros ou secretários. Representantes do grupo afirmam que as manifestações podem ser intensificadas caso não haja avanço nas negociações.
O jogo de abertura da Copa do Mundo vai ocorrer justamente no Estádio Cidade do México, entre México e a África do Sul, no próximo dia 11.









