Fraudes operacionais em postos de gasolina custam R$ 27 bilhões ao consumidor, segundo estudo da FGV Energia (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com o ICL (Instituto Combustível Legal). Nessa categoria, entram golpes como alterações na qualidade do combustível e na quantidade entregue na bomba.
O valor é quase o dobro do estimado na pesquisa anterior, de 2022, quando as perdas eram calculadas em em R$ 15 bilhões.
Para o ICL, o dado indica que parte do mercado ilegal está migrando para práticas mais próximas do consumidor final, como adulteração, fraude volumétrica e irregularidades associadas à propaganda enganosa —as que mentem sobre a procedência dos produtos, modalidades de pagamento, clonagem e pirataria de marcas.
O avanço das irregularidades também aparece nos indicadores oficiais da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Considerando o mesmo recorte utilizado pela FGV Energia e pelo ICL, o índice de inconformidade nas coletas analisadas pelo PMQC (Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis) passou de 2,7% em 2022 para 4% em 2024.
Para Emerson Kapaz, presidente do ICL, os dados mostram que o mercado ilegal tem se adaptado ao aumento da fiscalização e às operações recentes de combate a fraudes e sonegação e inadimplência no setor.
“O que estamos vendo é um deslocamento do problema, o chamado efeito balão: quando apertamos de um lado, a pressão muda para o outro. O mercado irregular está migrando para fraudes operacionais”, afirma o representante.
Ainda segundo o instituto, o volume de fraudes de quantidade supera o de fraudes de qualidade.
Segundo o ICL, o assunto será discutido no podcast da entidade, o ICL Cast, na próxima segunda-feira (8), com a participação do diretor executivo da entidade, Carlo Faccio, e do diretor de metodologia legal do Inmetro, Marcelo Morais.
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