Líbano e Israel concordaram com a implementação de um cessar-fogo, segundo um comunicado conjunto divulgado pelo Departamento de Estado americano nesta quarta-feira (3), após negociações em Washington.
A trégua está condicionada ao fim definitivo de ataques por parte do grupo extremista Hezbollah, alinhado ao Irã, e à retirada de todos os seus membros da região ao sul do rio Litani, segundo o comunicado. Os dois países já haviam assinado um cessar-fogo no mês passado, mas as hostilidades continuaram.
“As duas partes concordaram, sob a orientação dos Estados Unidos, em avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais”, afirma o texto publicado pelo governo Trump.
O comunicado reitera que “os países reafirmaram que o futuro das relações” bilaterais “deve ser decidido pelos dois governos soberanos”, rejeitando “qualquer tentativa, por parte de qualquer Estado ou ator não estatal, de manter o futuro do Líbano como refém”. O texto reafirma que o Hezbollah é um inimigo comum aos três países.
Israel invadiu o Líbano em março em perseguição ao Hezbollah, que disparou através da fronteira em apoio a Teerã depois de Washington e Tel Aviv iniciarem a guerra contra o país persa em 28 de fevereiro.
O Irã afirmou que não concordará com um acordo para pôr fim ao conflito, a menos que o cessar-fogo também abranja o Líbano.
O texto publicado nesta quarta afirma que “todas as partes condenaram os ataques do Irã contra países da região e as atividades em curso que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio”. Sem citar o desarmamento do Hezbollah diretamente, diz ainda que “o Líbano comprometeu-se a reforçar a capacidade das Forças Armadas Libanesas, com o apoio dos EUA, para exercer controle efetivo em todo o país”.
Os dois países ainda concordaram em prosseguir com as negociações diretas para construir confiança e resolver outras questões pendentes, afirmou o comunicado. Ambos “reafirmaram que não têm intenções hostis um para com o outro”.
O texto deixa evidente que novas rodadas de negociação devem acontecer e que “as duas partes concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vistas a alcançar um acordo abrangente”. Os EUA se disponibilizaram a permanecer nas conversas.
Até a publicação deste texto, nenhum dos governos havia se pronunciado sobre o comunicado americano.
O anúncio acontece na esteira de um novo desdobramento no lado iraniano do conflito. Trump afirmou também nesta quarta que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e que deve se encontrar com o líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei.
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As declarações foram dadas em entrevista ao podcast Pod Force One em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio e a uma aparente estagnação nas negociações por um acordo de paz.
Antes do anúncio de trégua, ainda nesta quarta, ataques com drones israelenses mataram pelo menos seis pessoas no sul do Líbano e atingiram um carro ao sul de Beirute, disseram autoridades de segurança libanesas, enquanto Israel afirmou ter interceptado uma aeronave hostil, provavelmente disparada pelo Hezbollah.
De acordo com as autoridades libanesas, mais de 3.400 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início da guerra. Israel, por sua vez, afirma que as ações do Hezbollah já mataram 26 soldados e 4 civis israelenses no mesmo período.









