Outro dia Lula disse que a indústria naval brasileira vai “dar uma surra nos coreanos e nos chineses”. Com R$ 41,7 bilhões de investimentos em 890 obras está aí o polo naval de Lula 3.0. O Brasil corre atrás de uma frota nacional desde o século 17, quando saiu do estaleiro da Ilha do Governador, um dos maiores barcos do mundo, o galeão Padre Eterno. Infelizmente, a frase de Lula só pode ser atribuída aos delírios de um candidato em ano eleitoral. Até hoje, quem levou surras com a indústria naval foi a Viúva.
A geração de Lula, nascida na primeira metade do século 20, tem uma marca sem similar conhecido: já pagou por três polos navais, pagará pelo quarto e o Brasil não tem uma indústria naval competitiva.
O primeiro polo naval veio no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961). Desandou, mas a conta foi quase toda para os estaleiros. É o jogo jogado.
O segundo polo veio no governo de Ernesto Geisel. Também desandou, mas a conta foi para a Viúva. O polo era financiado por papéis da Superintendência da Marinha Mercante, a Sunaman. Eles caíram na vala dos “papéis podres” e, numa construção cruel, a criatividade da banca devolveu-lhes o valor de face para arrematar empresas estatais. Assim, transformaram mico em moeda.
O terceiro polo veio com o Lula 1.0. Parecia ir bem, quando começou a esfarelar. A primeira grande embarcação produzida no polo foi o petroleiro João Cândido. Adernou no lançamento, em 2000, e passou por reparos durante dois anos.
O primeiro polo naval de Lula foi o que custou mais caro ao país. Mais de 100 mil trabalhadores perderam seus empregos. Para se ter uma ideia do grau de voluntarismo embutido na iniciativa, o Itamaraty concedeu agrément a um embaixador “não residente” de Singapura. Ele não era diplomata, nem servidor público, mas CEO de um estaleiro metido em maracutaias em Pindorama.
No terceiro polo naval entrou uma empresa que deveria fabricar sondas para a Petrobras. Fabricou um escândalo e uma falência de R$ 36 bilhões. No século 17 o Rio construiu um dos maiores galeões do mundo, no 21 a Sete Brasil produziu a maior falência da história de Pindorama.
O Brasil não tem uma indústria naval competitiva porque varre para baixo do tapete as causas dos fracassos. Elas são o produto de um capitalismo de fancaria. As roubalheiras embutidas no terceiro polo eram grotescas, aleijaram a Petrobras e quebraram estaleiros de papel. Passados alguns anos, malfeitos de procuradores da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro contaminaram a faxina produzida pela Operação. Disso resultou a ideia de que ela quebrou a indústria naval, desempregando milhares de pessoas. Os estaleiros quebraram porque reciclavam incompetência e falta de competitividade numa rede de relações pessoais e políticas. Essas redes podem produzir muitas coisas, menos navios.
Com o quarto polo naval na rua, tudo o que se pode esperar é que ele inclua um funcionário encarregado de lembrar aos poderosos do momento quando o projeto estiver tomando o caminho das surras de seus antecessores.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.









